Cinema
Repulsa ao Sexo
22/08/10
por THIAGO RAMARI
Inglaterra/1965 – Direção de Roman Polanski – Distribuidora: Pandora Filmes/Globo Vídeo – Um dos trabalhos mais perturbadores da filmografia de Roman Polanski, diretor consagrado de cinema que nasceu na França, mas que cresceu na Polônia. Interpretada por Catherine Deneuve no início da carreira, Carole enfrenta dificuldades para se relacionar com homens, por conta da timidez. No entanto, ao mesmo tempo em que se afasta daqueles que tentam se aproximar, agindo quase sempre de forma indiferente, a personagem se entrega, a sonhos eróticos, nos quais é estuprada por um desconhecido.
Essa personalidade contraditória se revela e atinge o ápice nos dias em que Carole fica sozinha no apartamento que divide com a irmã mais velha. O elenco também traz John Fraser, Ian Hendry e Yvonne Furneaux. O filme venceu o “Prêmio Especial do Júri”, no Festival de Berlim, ocorrido na Alemanha, em 1965.
Julie & Julia
19/08/10
por THIAGO RAMARI
EUA/2009 – Direção de Nora Ephron – Distribuidora: Sony Pictures – O longa-metragem que deu a décima sexta indicação ao Oscar à atriz Meryl Streep faz com que o espectador vá direto para a cozinha logo depois da apresentação dos créditos finais. Motivo: o filme é uma cinebiografia das norte-americanas Julia Child e Julie Powell, cujos maiores feitos se deram com a ajuda de um fogão. A primeira, interpretada por Meryl Streep, revolucionou a culinária ao lançar o livro de receitas “Mastering the Art of French Cooking”; a segunda, vivida por Amy Adams, chamou a atenção da mídia décadas depois ao relatar, em um blog, as tentativas de preparar cada um dos pratos desse livro. Além das atuações carismáticas das duas atrizes, vale destacar a trilha sonora, assinada pelo compositor francês Alexandre Desplat. As músicas inspiram qualquer pessoa a se arriscar na cozinha.
Deixa Ela Entrar
16/08/10
por THIAGO RAMARI
Suécia/2008 – Direção de Tomas Alfredson – Distribuidora: Ainda não definida – Apesar de a indústria cinematográfica estar saturada de filmes sobre vampiros, alguns títulos merecem atenção. Um deles é “Deixa Ela Entrar”, cujo roteiro, assinado por John Ajvide Lindqvist, abdica das abordagens óbvias em prol de um drama denso envolvendo um menino de 12 anos e uma vampira que aparenta ter a mesma idade, interpretados por Kåre Hedebrant e Lina Leandersson.
Em um cenário tomado pela neve, os dois personagens se conhecem, tornam-se melhores amigos e logo começam a viver uma espécie de romance, que, de tão ingênuo, acaba por ganhar o espectador. A densidade está no fato de que, ao mesmo tempo, a vampira, para se manter viva, protagoniza uma série de assassinatos. Ao todo, o filme já venceu mais de 35 prêmios em festivais de cinema. Em breve nas locadoras.
Educação
13/08/10
por: THIAGO RAMARI
Inglaterra/2009. Direção de Lone Scherfig. Distribuidora: Sony Pictures Classics. Sensibilidade talvez seja a principal característica desse drama que já deu mais de dez prêmios à atriz britânica Carey Mulligan. Ela interpreta Jenny, uma estudante de 16 anos, que, embora seja mais inteligente do que a média das meninas da mesma idade, reserva uma ingenuidade própria da adolescência. Esses dois lados vão se confrontar quando ela se vir diante de problemas derivados do relacionamento afetivo com David, papel do norte-americano Peter Sarsgaard, que tem mais que o dobro de sua idade.
Baseado no livro homônimo de Lynn Barber, o filme se passa nos anos 60 e faz uma ode à cultura, sobretudo à francesa, a predileta da protagonista. Outros pontos altos são a direção de arte, os figurinos e a fotografia. Em breve nas videolocadoras.
Coração Louco
09/08/10
por: THIAGO RAMARI
EUA/2009. Direção de Scott Cooper. Distribuidora: Fox Film Corporation. O filme parece ter sido feito sob medida para o ator norte-americano Jeff Bridges alcançar o ponto mais alto da carreira até então. Ele interpreta um cantor country, em fase decadente, que se esforça para dar a volta por cima depois de se envolver com uma repórter de um jornal do interior. Baseado no livro homônimo de Thomas Cobb, o roteiro não trata somente da superação, mas também dos medos que habitam o universo masculino, tanto na esfera pessoal, como na profissional.
A trilha sonora é outro destaque, compilando as músicas que tornaram o personagem principal conhecido do grande público. Na edição do Oscar deste ano, “Coração Louco” venceu nas categorias Melhor Ator (Bridges) e Melhor Canção Original (“The Weary Kind”, composta por Ryan Bingham e T-Bone Burnett).
Casamento Silencioso
03/08/10
por: THIAGO RAMARI
Romênia, Luxemburgo, França/2008. Direção de Horatiu Malaele.
Distribuidora: Imovision. A sátira política é o cerne desse filme. O roteiro é ambientado em um vilarejo romeno, onde a população vive essencialmente da agricultura, em 1953, em plena Guerra Fria. Apesar da distância de Moscou, a localidade é obrigada a aderir ao luto de sete dias pela morte do então líder da União Soviética, Josef Stalin.
O problema é que a notícia chega no início de uma festa de casamento, que, por ordem de oficiais comunistas, tem de ser cancelada, por se tratar de uma manifestação popular. Contudo, para não deixar a comida estragar, as famílias dos noivos e os convidados dão continuidade à celebração dentro de uma casa, em silêncio, para não serem descobertos. A cena arranca gargalhadas do espectador. O filme marca a estreia de Malaele na direção para o cinema.
O RAIO VERDE
29/07/10
por: PAULO CAMPAGNOLO
Direção: Eric Rohmer. Eric Rohmer foi o mais velho filho da Nouvele Vague, tendo como “irmãos” os inconformados Godard, François Truffaut, Chabrol e Rivette. Seus filmes, divididos em blocos (Contos Morais, Comédias e Provérbios, etc), eram simples, feitos com pouco dinheiro e com a ajuda de jovens atores. Simples, entretanto não significa simplista. Ao contrário: dentro de uma tradição literária, seu cinema privilegiava o diálogo e jogos de sedução, numa poesia insuspeita que nascia da própria feitura do filme – e que demora, às vezes, para nos seduzir. O estudante de filosofia, Daniel Cybulski, de 21 anos, indica “O Raio Verde” (de 1985 e vencedor do Festival de Veneza) como um exemplo claro da maestria de Rohmer: “Um senso de improviso, acompanhado com uma percepção de cotidiano que dá ao seu filme uma carga emocional ao mesmo tempo leve e bastante palpável. É de uma beleza rara esse filme e Rohmer era, realmente, um gigante do cinema”.
GUERRA AO TERROR
24/07/10
por: PAULO CAMPAGNOLO
EUA/2009. Direção de Kathryn Bigelow. Um dos mais premiados filmes de 2009, “Guerra ao Terror”, da americana Kathryn Bigelow, começou 2010 com nove indicações ao Oscar. O trabalho de Bigelow é admirável neste que é um dos mais sérios filmes já realizado sobre a Guerra do Iraque. Bigelow nos coloca dentro da guerra, durante os 38 dias de atividades de um grupo de especialistas responsáveis por localizar e desativar bombas caseiras que, rotineiramente, matam civis iraquianos e, invariavelmente, soldados americanos. O filme, em ritmo de câmera na mão, próximo ao documental, nos leva a uma percepção muito detalhada dos fatos, numa experiência física que, sem ser restrita ao cunho político, nos faz perceber todo o absurdo da guerra. Filme seco, direto, sem firulas, e que se concentra nas cenas de ação. Jeremy Renner, também candidato ao Oscar de melhor ator, tem ótimo desempenho e é responsável por nos fazer crer que não há heróis num conflito que se mostra apenas como um ritual de morte – sem a visão glamourosa que tantas vezes Hollywood insistiu em envolver dramas e tragédias humanas. Um belo filme.
DISTRITO 9
20/07/10
por: PAULO CAMPAGNOLO
Nova Zelândia/EUA/2009. Direção de Neill Blomkamp. Longe das polpudas quantias destinadas aos filmes de ficção-científica, “Distrito 9” teve um marketing certeiro e estreou nos cinemas amparado pelo nome de Peter Jackson (de “Senhor do Anéis”) na produção. Dirigido pelo estreante Neill Blomkamp, se tornou um sucesso ao fazer um híbrido de filme de alienígenas com outros de cunho social. Com um roteiro bastante original, o filme se apresenta como um documentário sobre um inevitável remanejamento de aliens que viviam em barracos, numa espécie de campo de refugiados em Johannesburgo. Durante a evacuação, o gerente da empresa contratada para o serviço entra em contato com uma estranha substância e seu corpo começa a sofrer uma mutação. Perseguido por acreditarem que tenha transado com uma alien, ele passa a viver relegado a uma segregação. Misturando referências (de “Alien – O Oitavo Passageiro”, “ET”, “Blade Runner” e a “A Mosca”), Blomkamp fez um filme até certo ponto divertido e, ainda, escuro e sujo; chegando até mesmo a arranhar o kitsch.
BASTARDOS INGLÓRIOS
16/07/10
por: PAULO CAMPAGNOLO
EUA/2009. Direção de Quentin Tarantino. É inegável que Quentin Tarantino seja um bom cineasta. Também não se pode negar que seu compromisso seja apenas com um certo tipo de cinema, que não escapa nunca das referências cinefílicas, e calcado, com muita porrada, no tema da vingança. Tema que, aliás, empolga o público porque é sempre uma chance de se ver violência a rodo. “Bastardos”, entre o pastiche e a sofisticação implacável de diálogos metralhados e improváveis, não tem nada de humanista. É, antes de tudo, um filme imediatista, uma piada. Sem psicologia e com muitas referências ao próprio cinema, o filme conta a história ensandecida de um tenente americano (Brad Pitt) que, junto com um séquito, promove uma jornada de terror contra os nazistas durante a Segunda Guerra. Transfigurar a história, invertê-la, repintá-la com tintas exageradas, beirando a comédia bufa – talvez seja um ponto positivo. Contudo, como qualquer piada, pode facilmente envelhecer. Resta a interpretação magistral de Christopher Waltz – que venceu a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes.